Gente é bem consciente das carências que temos e é por isso que não falamos muito de técnica. No entanto estamos preocupados da técnica no Kendo tanto como qualquer outro: lemos, traduzimos, perguntamos alguns a outros, perguntamos ao pessoal, perguntamos ao Sensei, em seguida perguntamos ao YouTube Sensei, praticamos e sobre tudo erramos. É por isso que hoje estreamos uma categoria que não se chama de “Kihon ni Waza” mais de “Pesadelos”. É começamos com a mais recente waza em entrar ao nosso repertório de sonhos ruines junto com Men, Koté, Okuri Ashi…

Numa das mais recentes aulas de Kendo no Kata no meu Dojo surgiu a questão do Kiri Otoshi e pouco depois nós tivemos uma aula só da essa waza. Tal como com outras técnicas do Kendo as dificuldades apareciam com o movimento dos pés, com o ritmo e, fundamentalmente e mais que nada, com a intenção dela. Quando você é shoshinsha pensa os wazas como uma resposta a um ataque mas não sabe por que os graduados falam sempre de “construir” (seu ataque).


Clássico entre clássicos: Takizawa Sensei mostrando seu Kiri Otoshi (de: Kendo Navarra)

A primeira tradução não oficial do Dicionário do Kendo da ZNKR (feita por o Hiroyuki Shioiri Sensei no final do XX século) define Kiri Otoshi como “em movimento continuo repelir um ataque com o shinogi [ou lado de nossa espada que não é o fio ó o contra fio, a linha que aparece entre o Hamon e o Mune] atacando ao mesmo tempo”. Alguns senseis descrevem Kiri Otoshi como uma técnica contra um Men que não está totalmente certo, não vem no centro. As explicações dela variam nos detalhes, mas não em relação ao centro: como tudo no Kendo si você pega o centro então o corte vai dar certo. Há uma versão em Espanhol dista tradução feita por a Noemí Arnal e o Manel Alonso, de Barcelona. “Em movimento continuo” significa, como em todas as oji waza, que não há “bloqueio mais ataque” mais tudo faz parte da mesma técnica. O como falaram Warner & Sasamori no livro This is Kendo: “receber um ataque é atacar ao mesmo tempo: si você perde a oportunidade do ataque num bloqueio você não pode ser um bom kendoka”. É simples, não é? Warner & Sasamori falaram mais em seu livro de Do-Uchi Otoshi-Men y Kote-Uchi Otoshi-Men. E o mesmo fiz Hiroshi Ozawa sensei no Kendo: the definitive guide (Kodansha, 1991), o mesmo Ozawa sensei falando que ele queria concentrar-se nas técnicas básicas ó aquelas que “vai fomentar um espírito forte para os shoshinshas”.
Atenção: Kiri Otoshi não é o mesmo que Kiri Oroshi, mais que embora, por vezes, as pessoas confundam mutuamente. Kiri Oroshi é um corte de queda, “de acima para embaixo”; si vocês fazem Iaido vai ter ouvido. O verbo Orosu 降 significa “deixar cair”, enquanto que o verbo Otosu 落 significa mais o menos “despencar, desmoronar”.

Não é coincidência que o Takizawa sensei explique sempre esta técnica nos seminários dele. Kiri Otoshi é a waza fundamental da escola Itto Ryu que o pai dele, o mestre Kozo Takizawa, aprendeu de um dos pioneiros do Kendo, Takano Sasaburo; mais em concreto ou Ono-ha Itto Ryu, a linha mais antiga deste estilo (pois esta antiga escola tem uma dúzia de linhas). Sasaburo Sensei, do que muitos falam como pai do Kendo no Kata e do Kendo moderno, estudou essa escola [Ono-ha Itto Ryu] por herança familiar. Nos falamos então duma continuidade no estudo de 6 gerações até chegar ao vídeo que vocês podem ver no link acima e que certamente vocês já viram. Sasamori sensei e seus filhos praticam até hoje esse koryu.

Em outro vídeo clássico o Kazue sensei fala da relação entre o Itto Ryu e o Kendo y a ascendência deste no Kiri Otoshi (veja 5:00), que foi registrado em 2010 durante um seminário de verão em Vancouver. O som é um pouco deficiente, mas vale a pena aumentar o volume para ouvir ao tradutor:

Durante a coleta de informações para este post eu estava lendo alguns quartos danes dinamarqueses falando sobre suas dificuldades com Kiri Otoshi nos fóruns do Kendo World:

– É um suriage para embaixo!
– Se parece a um debana mas não é debana!
– Pensa!
– Não pense!

Como gente fala em Espanhol: Mal para muitos é consolo (mais é consolo de tolos).